09 setembro 2010

Luis Fernando Verissimo


O escritor Luis Fernando Verissimo, nascido em Porto Alegre - RS a dia 26 de setembro de 1936, é conhecido por suas crônicas e textos de humor, publicados diariamente em vários jornais brasileiros. Ele é também cartunista e tradutor, além de roteirista de televisão, autor de teatro e romancista bissexto. Já foi publicitário e copy desk de jornal. E por incrível que pareça, ainda é músico, tendo tocado saxofone em alguns grupos musicais. Com quase 70 títulos publicados, é um dos mais populares escritores brasileiros contemporâneos. Filho do também escritor Erico Verissimo, ele confirma a tese de que  "filho de peixe, peixinho é".


Nascido e criado em Porto Alegre, Luis Fernando viveu parte de sua infância e adolescência nos Estados Unidos, com a família, em função de compromissos profissionais assumidos por seu pai - professor na Universidade de Berkeley (1943-1945) e diretor cultural da União Pan-americana em Washington (1953-1956). Como consequência disso, cursou parte do primário em San Francisco e Los Angeles, e concluiu o secundário na Roosevelt High School, de Washington.

Aos 14 anos produziu, com a irmã Clarissa e um primo, um jornal periódico com notícias da família, que era pendurado no banheiro de casa e se chamava O Patentino (patente é como é conhecida a privada no Rio Grande do Sul).

No período em que viveu em Washington, Veríssimo desenvolveu sua paixão pelo jazz, tendo começado a estudar saxofone e, em frequentes viagens a Nova York, assistido a espetáculos dos maiores músicos da época, inclusive Charlie Parker e Dizzy Gillespie.

De volta a Porto Alegre em 1956, começou a trabalhar no departamento de arte da Editora Globo. A partir de 1960, fez parte do grupo musical Renato e seu Sexteto, que se apresentava profissionalmente em bailes na capital gaúcha, e que era conhecido como "o maior sexteto do mundo", porque tinha 9 integrantes.

Entre 1962 e 1966, viveu no Rio de Janeiro, onde trabalhou como tradutor e redator publicitário, e onde conheceu e casou-se (1963) com a carioca Lúcia Helena Massa, sua companheira até hoje e mãe de seus três filhos, Fernanda, nascida em 1964, Mariana, de 1967 e Pedro, que chegou em 1970.

Em 1967, de novo em sua cidade natal, começou a trabalhar no jornal Zero Hora, a princípio como revisor de textos (copy-desk). Em 1969, depois de cobrir as férias do colunista Sérgio Jockymann e poder mostrar a qualidade e agilidade de seu texto, passou a assinar sua própria coluna diária no jornal. Suas primeiras colunas foram sobre futebol, abordando a fundação do Estádio Beira-Rio e os jogos do Internacional, seu clube do coração. No mesmo ano, tornou-se redator da agência de publicidade MPM Propaganda.

Em 1970 transferiu-se para o jornal Folha da Manhã, onde manteve sua coluna diária até 1975, escrevendo sobre esporte, cinema, literatura, música, gastronomia, política e comportamento, sempre com ironia e ideias pessoais, além de pequenos contos de humor que ilustram seus pontos de vista.

Em 1971 criou, com um grupo de amigos da imprensa e da publicidade porto-alegrense, o semanário alternativo O Pato Macho, com textos de humor, cartuns, crônicas e entrevistas, e que vai circular durante todo o ano na cidade.

Em 1973 lançou, pela Editora José Olympio, seu primeiro livro, O Popular, com o subtítulo Crônicas, ou Coisa Parecida, uma coletânea de textos já veiculados na imprensa, o que seria o formato da grande maioria de suas publicações até hoje. O livro de estreia de Veríssimo recebeu elogios do importante crítico literário Wilson Martins, em O Estado de São Paulo.

Em 1975, voltou ao jornal Zero Hora, onde permanece até hoje, e passou a escrever semanalmente também no Jornal do Brasil, tornando-se nacionalmente conhecido. Publicou seu segundo livro de crônicas, A Grande Mulher Nua e começou a desenhar a série As Cobras, que no mesmo ano já rendeu uma primeira publicação de cartuns.

Em 1979, publicou seu quinto livro de crônicas, Ed Mort e Outras Histórias, o primeiro pela Editora L&PM, com a qual trabalharia durante 20 anos. O título do livro refere-se àquele que viria a ser um dos mais populares personagens de Luís Fernando Veríssimo. Uma sátira dos policiais noir, imortalizados pela literatura de Raymond Chandler e Dashiell Hammett e por filmes interpretados por Humphrey Bogart, o personagem Ed Mort é um detetive particular carioca, de língua afiada, coração mole e sem um tostão no bolso, que passou a protagonizar uma tira de quadrinhos desenhada por Miguel Paiva e publicada em centenas de jornais diários, gerou uma série de cinco álbuns de quadrinhos (1985-1990) e ainda um filme com Paulo Betti no papel-título.

Entre 1980 e 1981, Veríssimo viveu com a família por 6 meses em Nova York, o que mais tarde renderia o livro Traçando Nova York, primeiro de uma série de seis livros de viagem escritos em parceira com o ilustrador Joaquim da Fonseca e publicados pela Editora Artes e Ofícios.

Em 1981, o livro O Analista de Bagé, lançado na Feira do Livro de Porto Alegre, esgotou sua primeira edição em dois dias, tornando-se fenômeno de vendas em todo o país. O personagem, criado (mas não aproveitado) para um programa humorístico de televisão com Jô Soares, é um psicanalista de formação freudiana ortodoxa, mas com o sotaque, o linguajar e os costumes típicos da fronteira do Rio Grande do Sul com o Uruguai e a Argentina. A contradição entre a sofisticação da psicanálise e a "grossura" caricatural do gaúcho da fronteira gerou situações engraçadíssimas, que Veríssimo soube explorar com talento em dois livros de contos, um de quadrinhos (com desenhos de Edgar Vasques) e uma antologia.

Em 1982 passou a publicar uma página semanal de humor na revista Veja, que manteria até 1989.

Em 1983, em seu décimo volume de crônicas inéditas, lançou um novo personagem que também faria grande sucesso, A Velhinha de Taubaté, definida como "a única pessoa que ainda acredita no governo". O ingênuo personagem, que dera a seu gato de estimação o nome do porta-voz do Presidente-General Figueiredo, marcava a decadência do governo militar brasileiro, que já estava quase completando 20 anos. Mas, anos depois, em plena democracia, Veríssimo faria reviver A Velhinha de Taubaté, ironizando a credibilidade dos presidentes civis, especialmente Fernando Collor e Fernando Henrique Cardoso.

Em toda a década de 1980, Veríssimo consolidou-se como um fenômeno de popularidade raro entre escritores brasileiros, mantendo colunas semanais em vários jornais e lançando pelo menos um livro por ano, sempre nas listas dos mais vendidos, além de escrever para programas de humor da TV Globo.

Em 1986, morou seis meses com a família em Roma, e cobriu a Copa do Mundo para a revista Playboy. Em 1988, sob encomenda da MPM Propaganda, escreveu seu primeiro romance, O Jardim do Diabo.

Em 1989, começou a escrever uma página dominical para o jornal O Estado de São Paulo, mantida até hoje, e para a qual criou o grupo de personagens da Família Brasil. No mesmo ano, estreou no Rio de Janeiro seu primeiro texto escrito especialmente para teatro, Brasileiras e Brasileiros.

Em 1990, passou 10 meses com a família em Paris e cobriu a Copa da Itália para os jornais Zero Hora, Jornal do Brasil e O Estado de São Paulo, o que voltaria a fazer em 1994, 1998, 2002 e 2006.

Em 1991 publicou uma antologia de crônicas para crianças, intitulada O Santinho, com ilustrações de Edgar Vasques, e outra para adolescentes, batizada com nome de Pai não Entende Nada.

Em 1994, a antologia de contos de humor Comédias da Vida Privada foi lançada com grande sucesso, vindo a tornar-se um especial da TV Globo e depois uma série de 21 programas (1995-1997), com roteiros de Jorge Furtado e direção de Guel Arraes. Ele ainda publicaria uma nova antologia de contos, Novas Comédias da Vida Privada (1996) e, por contraste, uma série de crônicas políticas até então inéditas em livro, Comédias da Vida Pública (1995).

Em 1995, intelectuais brasileiros convidados pelo caderno Ideias, do Jornal do Brasil, elegeram Luis Fernando Veríssimo o Homem de Ideias do ano. A esta seguiram-se outras homenagens: em 1996, Medalha de Resistência Chico Mendes, da ONG Tortura Nunca Mais, Medalha do Mérito Pedro Ernesto, da Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro, e Prêmio Formador de Opinião, da Associação Brasileira de Empresas de Relações Públicas, culminando, em 1997, com o Prêmio Juca Pato, da União Brasileira de Escritores, como o Intelectual do ano. Em 1999, recebeu ainda o Prêmio Multicultural Estadão.

Ainda em 1995, por iniciativa do contrabaixista Jorge Gerhardt, foi criado o grupo Jazz 6, este certamente "o menor sexteto do mundo", com apenas 5 integrantes: além de Verissimo no sax e Gerhardt no contrabaixo, fazem parte do grupo Luiz Fernando Rocha (trompete e flugelhorn), Adão Pinheiro (piano) e Gilberto Lima (bateria).

Sendo Gerhardt, Rocha, Pinheiro e Lima "músicos em tempo integral", o grupo depende da agenda de Veríssimo para se apresentar, mas já tem 13 anos de estrada e 4 CDs lançados: Agora é a Hora (1997), Speak Low (2000), A Bossa do Jazz (2003) e Four (2006).


Em 1999, Veríssimo deixou de desenhar as tiras de As Cobras e mudou de editora, trocando a L&PM pela Objetiva, que passou a republicar toda a sua obra. Uma destas antologias, As Mentiras que os Homens Contam (2000), já vendeu mais de 350 mil exemplares.

Em 2003, resolveu reduzir seu volume de trabalho na imprensa, passando de seis para apenas duas colunas semanais, agora publicadas em Zero Hora, O Globo e O Estado de São Paulo.

A partir de solicitações geradas pelas editoras, Veríssimo deixou de ser o "grande escritor de textos curtos" e emendou uma série de novelas e romances: Gula - O Clube dos Anjos (1998), coleção Plenos Pecados, da Objetiva; Borges e os Orangotangos Eternos (2000), para a coleção Literatura ou Morte, da Cia das Letras; O Opositor (2004), para a coleção Cinco Dedos de Prosa, da Objetiva; A Décima Segunda Noite (2006), para a coleção Devorando Shakespeare, da Objetiva; e ainda Sport Club Internacional, Autobiografia de uma Paixão (2004), para a coleção Camisa 13, da Ediouro.

Em 2003, uma reportagem de capa da revista Veja destacou Veríssimo como "o escritor que mais vende livros no Brasil". Ao mesmo tempo, a versão em inglês de Clube dos Anjos - The Club of Angels era escolhida pela New York Public Library como um dos 25 melhores livros do ano.

Em 2004, na França, recebeu o Prix Deux Oceans do Festival de Culturas Latinas de Biarritz.

Em 2006, Veríssimo chegou aos 70 anos de idade consagrado como um dos maiores escritores brasileiros contemporâneos, tendo vendido ao todo mais de 5 milhões de exemplares de seus livros. Em 2008, sua filha Fernanda deu-lhe a primeira neta, Lucinda, nascida no dia do aniversário do Sport Club Internacional, 4 de abril.

É dele a cônica O Hipocondríaco:

Não tem nada pior do que ser hipocondríaco num país que não tem remédio.
Eu tomo um remédio para controlar a pressão.
Cada dia que vou comprar o dito cujo, o preço aumenta.
Controlar a pressão é mole. Quero ver é controlar o preção.
Tô sofrendo de preção alto,

O médico mandou cortar o sal.

Comecei cortando o médico, já que a consulta era salgada demais.
Para piorar, acho que tô ficando meio esquizofrênico. Sério!
Não sei mais o que é real.
Principalmente, quando abro a carteira ou pego extrato no banco. 
Não tem mais um Real.

Sem falar na minha esclerose precoce. Comecei a esquecer as coisas:
Sabe aquele carro? Esquece!
Aquela viagem? Esquece!
Tudo o que o barbudo prometeu? Esquece!

Podem dizer que sou hipocondríaco, mas acho que tô igual ao meu time: nas últimas.

Bem, e o que dizer do carioca? Já nem liga mais pra bala perdida...
Entra por um ouvido e sai pelo outro...

Faz diferença...
A diferença entre o Brasil e a República Checa é que a República Checa tem o governo em Praga e o Brasil tem a praga no governo.

Sobre o Autor:
Carlos Roberto Carlos Roberto de Oliveira é advogado estabelecido em Nova Iguaçu - RJ. A criação do Dando Pitacos foi a forma encontrada para entreter e discutir assuntos de interesse geral.

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13 comentários:

  1. hahaha...essa crônica é ótima do começo ao fim !!!
    Estamos vivendo uma "epidemia" dessas "pragas" !!!!
    Beijos

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  2. Você disse bem, Ana!

    É uma verdadeira "epidemia" de pragas, uma espécie de "virose", que precisa ser combatida o mais rápido possível, sob pena de contaminar todo o país!

    Um grande abraço e obrigado pela força...

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  3. Amigo Roberto excelente postagem sobre a biografia do gênio Fernando Veríssimo, guardei-a comigo. Gosto de muitos textos, e dos de humor sempre seleeciono os mais leves. Agora, não tive como não me render a genialidade dele. Afinal, o que é um peido para quem já está cagado? Texto maravilhoso, de um gênio contando uma situação inusitada e difícil que em sua mão virou arte, cujo título não podeia ser mais apropriado "Um dia de merda". Parabéns pelo Post. Beijos, B.B.

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  4. Tchê,

    sou gaúcho e acompanho de perto a obra do Veríssimo. Inclusive as obras do Veríssimo pai (Érico Veríssimo - tem até rua aqui em POA com o nome dele) também. Tu conheces um Incidente em Antares e o Tempo e o Vento...são clássicos do Érico.

    Abr.

    Paulo

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  5. Claro que sim!

    A obra de Erico Veríssimo é por demais conhecida.

    Um abração...

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  6. mas bah
    amigo este eu conheço
    ufa depois de tantos posts seus q eu ficava
    boiando agora estou por dentro
    bah a cronica é perfeita
    como nosso amigo Paulo citou
    incidente em antares é uma das obras do mestre q mais curti

    bjim guri

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  7. Claro que você tem que conhecer, Juci!

    Ele é gaúcho como você. Claro que não tão bonito (até porque não tem os seus olhos)!

    Um beijão...

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  8. Olá querido Roberto!
    Ótimo post sobre Veríssimo! Eu adoro as crônicas e textos dele! A visão crítica, política, "sarcástica" e bem humorada dele deixam uma marca inconfundível em seus textos.
    Parabéns pela publicação! Como sempre, ótimo gosto!
    Grande beijo,
    Jackie

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  9. Valeu, Jackie!

    O Verissimo dispensa comentários, mas suas características principais são exatamente as que você citou: uma visão crítica apurada, principalmente sobre política, a análise sarcástica e bem humorada de seus artigos e crônicas. Esses foram os atributos que o transformaram num dos maiores escritores brasileiros.

    E o cara ainda é músico! Bah, como diz a Juci!

    Um grande abraço...

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  10. Estou pesquisando a autoria desse teto e alguns sites o atribuem à Silvio Lach
    http://dilurdis.blogspot.com.br/2010/09/luis-fernando-verissimo-nao-e-o-autor.html

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  11. Pessoal que adorou o texto Hipocondríaco, procurem no Facebook o Silvio Lach e mandem parabéns pra ele, que é o verdadeiro autor!

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  12. Parabéns ao verdadeiro autor da obra mencionada na matéria, o genial SÍLVIO LACH. O LFV é sensacional e felizmente não precisa se apropriar da autoria de ninguém pra ser fabuloso. Quem conhece sua obra sabe que esse testo não é dele.

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